Início / História / Cascais, 1850-1910
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CASCAIS, VILA DA CORTE

Apesar de o pioneirismo da utilização das praias do concelho para a prática dos banhos de mar parecer dever-se aos religiosos que habitavam no Convento do Estoril e a alguns liberais que haviam sido aprisionados em Cascais durante o miguelismo, o primeiro período de desenvolvimento em função desta moda, assente em pressupostos terapêuticos, processou-se sob a égide de entusiastas como o Visconde da Luz. Os banhos impor-se-iam, depois, enquanto forma de ócio, que lentamente se democratizou, em função do desejo de valorização social da burguesia, atestada, por exemplo, pelo sucesso das excursões por via marítima até à região.

Todavia, a efetiva descoberta das praias de Cascais ocorreria sobretudo em função da reconstrução da estrada para Oeiras, entre 1859 e 1864, pelo empenho do Visconde da Luz, que facilitou o acesso a Lisboa; e da estrada para Sintra, concluída em 1868, por iniciativa de Francisco Joaquim da Costa e Silva. Ainda que o argumento invocado para a sua concretização fosse o das proveitosas relações comerciais estabelecidas entre as três vilas, sedes de concelhos vizinhos, estas vias afirmar-se-iam enquanto suporte do surto de vilegiatura, tempo de repouso desfrutado na estação calmosa, que se apossou do litoral cascalense.

À semelhança de outras praias da margem norte da barra do Tejo, a frequência de Cascais revelou-se de cariz elitista, alcançando, mesmo, pela primeira vez, em setembro de 1867, o estatuto de praia da Corte, pela preferência que lhe foi concedida pela Rainha D. Maria Pia e, depois, pelo Rei D. Luís. Para além do Passeio (hoje Jardim) Visconde de Nossa Senhora da Luz, onde o contacto com a natureza servia de argumento para a convivência, a vila passou a dispor, a partir de 1869, do Teatro Gil Vicente, florescendo, desde então, as primeiras associações, de que a Sociedade Filarmónica Cascaense constitui o primeiro exemplo conhecido e à qual se seguiram muitas outras, nos domínios recreativo, humanitário, desportivo e cultural. Apesar de nesse ano já laborar o famoso e frequentadíssimo Grande Hotel Lisbonense, a vila debatia-se, ainda assim, com sérias carências ao nível do alojamento, que a afluência de visitantes realçou, forçando a Câmara Municipal a reequacionar o sistema de esgotos, o abastecimento de água, a recolha de lixos, a iluminação pública e até a rede viária.

A estada da Família Real consolidou-se a partir de 1870, na sequência da conversão da antiga casa do Governador da Cidadela no despretensioso Paço de Cascais, onde a Corte se passou a instalar em meados de setembro. Com D. Carlos, a entrada oficial na vila processar-se-ia no dia 28 desse mês, data do aniversário do Rei e da Rainha, por um período que se estendia por outubro, até à abertura da temporada do Teatro de S. Carlos.

A paixão pelo mar manifestada por D. Carlos conduziu-o, ainda, à promoção de doze campanhas oceanográficas, entre 1896 e 1907, imbuído da curiosidade científica da época. Beneficiando da experiência do Príncipe Alberto do Mónaco, com quem trocava correspondência, e do apoio de Albert Girard, foi sucessivamente adaptando barcos de recreio para o efeito, batizando-os de Amélia (I), II, III e IV. Prospetava habitualmente na costa da Guia, na foz do Tejo e em Sesimbra, montando, mesmo, na Cidadela de Cascais – fortificação junto à qual já funcionava um marégrafo desde 1882 – o primeiro laboratório de biologia marítima em Portugal, equipado com um sistema de tanques em que mantinha vivas as espécies capturadas por ocasião das suas campanhas, iniciadas em Cascais.

Cascais Vila da Corte
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Cascais Vila da Corte
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Cascais, Vila da Corte
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